quarta-feira, 15 de abril de 2009

domingo, 5 de abril de 2009

quinta-feira, 2 de abril de 2009

O calcanhar de Aquiles da análise de Febvre

Seria realmente a alta cultura, a chamada cultura erudita, a única responsável pelos limites intelectuais e mentais de uma época ? Seriam os letrados os que mais avançaram na formulação filosófica e científica de uma cultura ? Não há aí uma visão tradicional que valoriza a alta cultura em detrimento da cultura popular ? Uma questão para se pensar...

Seria Rabelais um ateu ?

Responder a esta questão implica responder a outra mais complexa: seria a descrença uma possibilidade intelectual aos homens do Renascimento ? Teriam eles uma utensilagem mental capaz de formular o problema da descrença ? Segundo Febvreve, para o homem do seculo XVI se libertar do peso esmagador da religião, ele deveria buscar apoio na filosofia, na ciencia ou no ocultismo. Febvre passa a examinar cada um deles, para mostrar que eles nao forneciam, no século XVI, o suporte necessário para a descrença. Para Febvre, se existe descrença, ela se traduz apenas como mera negação, como um impulso, sem valor social, que nada significa. É uma descrenca vazia e sem valor historico, posto que sem fundamentação filosófica. Febvre só admite a negação da religião - a descrença propriamente dita - se ela for advogada em base de razões coerentes, repousando sobre verificações científicas. A descrença assim seria impossivel no seculo XVI.

Lucien Febvre e Rabelais

Para Febvre, a sintaxe de uma época está em relação direta com o seu grau de desenvolvimento intelectual e de conhecimento científico. A sintaxe expressa portanto o clima mental de uma sociedade e revela os limites de sua especulação filosófica e religiosa. Nem tudo pode ser formulado mentalmente por uma determinada cultura - as idéias nascem de acordo com as circunstâncias do tempo historico. Mudam-se as circunstâncias, mudam-se as idéias.

Marc Bloch e a barbárie da guerra

Carlo Ginzburg chamou a atenção para um aspecto crucial do livro Os reis taumaturgos: o fato de que foi marcado pela experiência da guerra, na qual Bloch viu a regressão a uma mentalidade "bárbara e irracional". No cotidiano da guerra, a censura promoveu um retorno da tradição oral, mãe antiga das lendas e dos mitos, que estaria na raiz da difusão do rito de cura das escrófulas. O presente proporcionou-lhe um olhar privilegiado sobre o passado, uma espécie de mergulho no inconsciente do homem, pois que segundo ele "aquilo que há de mais profundo em história poderia ser também aquilo que há de mais seguro".